Socorro, meu filho escreve mal! – 3 dicas

É comum recebermos socorro advindos de pais com filhos em diferentes idades e séries escolares. Todos eles envolvendo a escrita.

O consolo pode ser então, você não está sozinho! E o desespero se justifica: a comunicação é cada vez mais uma habilidade fundamental, não somente hoje como também no futuro de nossos filhos. E a escrita é, sem dúvida, uma das principais ferramentas para a aprendizagem e para a expressão ao longo da vida.

O principal motivo da grande dificuldade na escrita está na cultura que se instalou de que escrever está relacionado ou à escola, ou, em poucos casos, ao trabalho. Como nossos filhos ainda não trabalham, fica a ideia de que eles escrevem para a escola: porque a professora manda, porque a tarefa precisa ser feita.

Isso não é verdade. É uma ilusão achar que aprendemos a escrever para poder estudar as matérias da escola. Se os pais conseguirem enxergar a habilidade da escrita com a função que de fato ela tem, já teremos meio caminho andado em direção ao socorro que os filhos precisam para escrever melhor.

A escrita abre um universo de possibilidades em termos de expressão e comunicação para cada um de nós. E também de aprendizado, sem dúvida.

Mas a grande questão está em como fazer com que os filhos percebam a escrita como algo importante para eles mesmos e não somente relacionado à obrigação imposta pela escola. Fazer longos discursos explicando o porquê escrever é importante não vai ajudar muito.

A solução para esse problema é mais simples do que pode parecer. Escrever é uma habilidade que, como tantas outras, requer prática. Uma vez dominada, passa a ser uma ferramenta de enorme utilidade, inclusive para tornar, mais tarde, a adolescência um período menos turbulento!

Na rotina atribulada que vivemos atualmente, a escrita acabou sendo relegada ao mundo digital, com todas as facilidades que cada vez mais a tecnologia nos traz. Isso, porém, trouxe duas mudanças que se instalaram sem que as famílias se dessem conta. A primeira delas foi a adequação dos aplicativos para crianças ainda em fase de alfabetização ou domínio da escrita.

Os almanaques de atividades foram substituídos por games que permitem à criança selecionar e arrastar a letra, sílaba ou palavra de acordo com a imagem mostrada. Embora possam representar uma boa opção de atividade para prática de leitura, a escrita fica totalmente de fora da brincadeira.

Outra mudança que impacta na prática da escrita é a possibilidade de envio de mensagens de voz. Sem dúvida, uma evolução com enormes benefícios em diversas situações, mas que reduziu ainda mais o uso da escrita para atender a necessidade de comunicação.

Nada de errado em aproveitar os benefícios da tecnologia. Vamos cada vez mais fazer uso de ferramentas que facilitem e melhorem nosso dia a dia. Mas, não podemos nos iludir: nada vem de graça! O preço de tanta evolução é termos que conscientemente criar oportunidades para que nossos filhos possam desenvolver habilidades essenciais para uma vida plena.

A prática da escrita não é papel da escola. O ensino dela pode ser. As oportunidades para dominar esse código fundamental para a comunicação são também, e principalmente, de responsabilidade da família.

Vamos então a algumas dicas para que a escrita do seu filho melhore e possa se tornar uma ferramenta para a aprendizagem de diversos conteúdos ao longo da vida.

Criar a necessidade de escrever para se comunicar com a própria família. Para crianças ainda na fase de alfabetização, fazer listas pode ser fonte de prazer e aprendizagem. Inicialmente peça que seu filho faça a lista do que ele precisa do supermercado. Ajude-o a encontrar as palavras em embalagens que você ainda tem em casa ou pesquisando em folhetos de supermercado. Depois de pronta a lista, você pode aprovar ou não os itens, contanto que de fato compre aqueles que foram aprovados. Uma ideia é comprar quantidade menor de cada item, para que a lista tenha que ser feita com maior frequência. Por exemplo, se você compraria 3 pacotes de bolacha, leve somente 1 ou deixe os outros 2 pacotes escondidos, para que a lista tenha que ser refeita em breve. Vale também lista de atividades para o final de semana, do lanche para a semana de aula, dos programas favoritos de tv.
Comunicar-se com filhos através de bilhetes. Deixe bilhete na porta do quarto, na cama, na geladeira e peça resposta também por escrito. Ignore se a resposta vier em mensagem de texto no celular ou mensagem de voz. É possível adaptar essa dica para crianças menores, com textos mais curtos ou para adolescentes, com assuntos que requerem domínio maior da habilidade de escrita.
Coloque um quadro em algum cômodo da casa no qual cada membro da família terá que colocar uma frase que ouviu ou leu durante a semana e que considera marcante, seja ela negativa ou positiva. No final de semana todos escolhem a melhor frase e a pessoa que a postou no quadro tem uma recompensa, que não pode ser material. Algumas dicas são: escolher uma atividade para toda a família, ganhar isenção de ajudar em alguma tarefa doméstica naquele final de semana, um ingresso para cinema etc.
E, para encerrar com chave de ouro, fica um alerta: não existe melhor remédio para a escrita do que o hábito da leitura.